O Brasil assiste, mais uma vez, a um episódio que marca profundamente sua história política e institucional: a prisão de mais um ex-presidente da República. Independentemente da corrente ideológica de cada cidadão, o fato é simbólico e carrega implicações que vão muito além do caso em si.
De um lado, muitos comemoram, considerando um marco do fortalecimento da Justiça e do combate à impunidade. Afinal, por décadas convivemos com a ideia de que as autoridades de alto escalão estavam blindadas contra qualquer tipo de responsabilização. A prisão de um ex-presidente, nesse sentido, reforça o princípio constitucional de que “todos são iguais perante a lei”.
Por outro lado, cresce o número de brasileiros preocupados com os rumos da atuação do Supremo Tribunal Federal (STF), apontando excessos, decisões monocráticas, prisões preventivas prolongadas e condutas que, para alguns juristas, beiram o ativismo judicial. A pergunta que fica é: estamos vendo a justiça sendo feita, ou o uso seletivo e político de instrumentos jurídicos?
É preciso cautela. Não se pode relativizar a gravidade de crimes, nem tampouco banalizar prisões como se fossem troféus políticos. Ao mesmo tempo, não podemos admitir que o combate à corrupção sirva de escudo para perseguições ideológicas ou atropelo ao devido processo legal.
O que estamos vivendo reflete, acima de tudo, um país em crise institucional e moral. A confiança da população nas instituições está frágil, e esse é um terreno perigoso, onde a desinformação, a radicalização e o populismo encontram espaço fértil.
Mais do que comemorar ou se indignar, o momento exige serenidade, responsabilidade e vigilância. O Brasil precisa, urgentemente, de um pacto por estabilidade, transparência e respeito às leis, sem atalhos, sem exceções e sem paixões cegas.
Por: Jony Rubem


