A fala do ex-presidente Michel Temer, defendendo um repensar do projeto da dosimetria após as novas sanções dos Estados Unidos, reacendeu especulações sobre seu papel nos bastidores da política brasileira. Ao propor um pacto entre os Poderes pela pacificação nacional, Temer parece ocupar novamente um espaço de mediação que sempre lhe foi característico, mas que agora pode ir além do discurso público.
A hipótese que ganha força em Brasília é a de que Temer não esteja apenas opinando, mas articulando discretamente junto a figuras-chave, como o ministro Alexandre de Moraes e os presidentes da Câmara e do Senado. Seu histórico como presidente da Câmara, vice-presidente e depois chefe do Executivo o credencia como um interlocutor experiente, capaz de transitar com facilidade entre o Judiciário e o Legislativo. O discurso da pacificação, ao mesmo tempo, lhe confere o papel de moderador em meio à polarização política e institucional que marca o cenário atual.
O movimento desperta questionamentos inevitáveis: estaria Michel Temer reposicionando-se para influenciar os rumos da política nacional de olho nas eleições de 2026? Sua habilidade em costurar alianças e se apresentar como alternativa de estabilidade poderia ser justamente a aposta de setores que buscam uma saída para além do confronto direto entre governo e oposição.
Ainda que não haja provas concretas de sua atuação direta sobre decisões de Moraes ou sobre as estratégias do Congresso, a simples percepção de que Temer está novamente no tabuleiro aumenta seu peso político. Como sempre, ele atua com discrição, sem buscar palanque, mas aproveitando os vácuos deixados pela crise para recuperar protagonismo.
Seja como conselheiro ouvido em momentos de turbulência, seja como articulador de um novo pacto institucional, Temer dá sinais de que ainda não saiu de cena. E, a depender da evolução das disputas e das movimentações partidárias, pode ganhar ainda mais espaço até 2026 — seja como articulador de uma candidatura de centro, seja como figura-chave de apoio a quem conseguir se firmar como alternativa viável à polarização.
Por: Jony Rubem


