Plano federal de R$ 1 bilhão não impede recorde de pessoas em situação de rua

Enquanto o governo federal comemora a saída do Brasil do mapa da fome e tenta vender ao mundo a imagem de um país que superou a miséria, as ruas contam uma história bem diferente. Nunca houve tanta gente vivendo ao relento. Os dados oficiais mostram que, em 2025, o número de pessoas em situação de rua chegou a 349 mil, mais que o dobro dos 144 mil registrados em 2019. É o maior número desde o início da série histórica, em 2010. Por trás desses números frios estão vidas marcadas pelo abandono, pelo desemprego e pela falta de políticas públicas eficientes, muito além dos discursos ideológicos que dominam o atual governo.

O programa “Ruas Visíveis”, lançado em 2023 com a promessa de investir R$ 1 bilhão por ano em ações de segurança alimentar e habitação, é o retrato do fracasso de uma política mais preocupada em criar manchetes do que resultados reais. Passados dois anos, o que se vê é o aumento constante da população de rua e o agravamento de um problema que se torna cada vez mais visível nas grandes cidades. O governo, preso a uma narrativa populista e ideológica, insiste em comemorar estatísticas que pouco refletem a realidade vivida pelos brasileiros que dormem nas calçadas e sob viadutos.

Especialistas da UFMG e do Ipea apontam que o aumento da população em situação de rua é consequência direta da crise econômica, da inflação persistente, do desemprego e do déficit habitacional. Ou seja, de tudo o que o governo deveria combater com seriedade e planejamento. Mas, em vez disso, o Palácio do Planalto prefere sustentar um discurso triunfalista, tentando convencer a população de que o país está em pleno progresso social.

Outro fator que contribui para o avanço desse cenário é a decisão do Supremo Tribunal Federal (STF), em 2023, de proibir remoções forçadas de pessoas em situação de rua. A medida, apoiada por setores ideológicos ligados ao governo, dificultou ainda mais o trabalho das prefeituras e ampliou o número de acampamentos improvisados nas áreas urbanas. Assim, a política do “politicamente correto” acabou se tornando um obstáculo à busca de soluções reais e humanas para o problema.

Em julho, a ONU retirou o Brasil do mapa da fome e o IBGE registrou o menor índice de pobreza da história recente. Mas o que se vê nas ruas é o contrário: famílias inteiras disputando espaço embaixo de marquises, crianças sem acesso à escola e uma multidão de brasileiros que perderam a esperança. O país pode até ter saído do mapa da fome, mas mergulhou no mapa da desigualdade e da hipocrisia.

O governo que prometia cuidar dos mais pobres parece ter se especializado em cuidar apenas da própria imagem. Enquanto isso, o povo que mais precisa continua esquecido, invisível aos olhos de um poder que prefere a propaganda à realidade.

Por: Jony Rubem

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