Visita Sentimental

Fiz uma visita sentimental acompanhado da minha irmã, Áurea Tavares. Estivemos na residência do primo Genival Tavares aqui em Natal. Ele se encontra enfermo mas lúcido e conversador como nos tempos de adolescente no sítio Canoas, município de Santa Cruz, onde nascemos e vivemos durante muito tempo andando de carro de boi e participando das novenas nas casas de tio João e tia Zefinha. Ela era uma figura interessante que nos botava no colo e agradava a criançada com biscoito e sequilho. Canoas era um reduto da família Tavares para onde íamos nos tempos de férias e das mudanças que meus pais – Sebastião e Ana – faziam do distrito “Cento e Três” para Canoas no lombo de burro dentro de casuá. O destino era a Casa Grande do meu avô Chico Tavares e madrinha Simha, especialista na fabricação de soda preta. Minha mãe Ana era uma excelente tiradora de leite de vaca e irmã mais velha que cuidava dos mais novos – João, Geraldina, Maria e Có, os dois últimos deficientes visuais.
Nos tempos de festas juninas a casa ficava cheia de gente nos finais de semana para degustar pamonha, canjica e soda com café feitos por minha mãe, por Ridete e madrinha Sinhá. Um dos principais frequentadores de Canoas era João Tavares com as filhas, Neide, Nadir, Nilza e Nilda. De dia as crianças passeavam de carro de mão e à noite íamos para a casa das tias, Maria e Maria José. A bodega de tio Cazuza era parada obrigatória durante o dia para comprar brote, sequilho e pão.
Lembro o estalar das alpargatas de rabicho de tio Marinheiro, um velhão alto, magro e carrancudo, pai de Genival , Joaquim, Maria, Nativa, Zé, Otacílio, Nazareno e os mudos, Cotia e Cazuza.
Antonio de Mariana e Ridete foram pessoas importantes na vida dos Tavares. Antonio era o “carreiro” e Ridete, responsável pela arrumação da casa. Nessa época as chuvas eram abundantes e a mesa farta. Nos sábados os Tavares reuniam-se para ir à feira de Santa Cruz onde tinha uma casa para os Tavares se reunirem. No local funcionava o “enchimento” do patriarca e líder da família, Chico Tavares para venda de cachaça.
Eu, menino, vinha para a feira no misto de Zé de Beija, um motorista ainda garoto que me deixava impressionado pela ousadia.
Perto de Canoas tem o Sítio Salgado onde nasceu meu pai, Sebastião Pinheiro que “sentou praça” na Polícia Militar e nos criou com zelo, dedicação e dignidade. No Salgado morava Irineu Pinheiro, pai do desembargador Vivaldo Pinheiro, Jurandi, Gentil e Geni.
No Salgado moravam também tio Miguel Tavares e tia Elvira, irmã do meu pai. Minhas incursões pelas serras da Borborema também me levaram a Monte das Gameleiras onde residia meu tio Luiz Pinheiro e agora moram os primos, Kerginaldo (ex-prefeito), Evaldo, Luizinho, Ronaldo, Edinha (ex-prefeita), Rosarinha, Tânia, Nenen, Verinha, Nau, Babá e Gutemberg.

Ninguém esquece o lugar onde nasceu e Canoas permanece presente no meu pensamento e na minha memória.

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