O camelódromo da Cidade Alta, em Natal, vive um cenário de abandono e decadência que reflete um problema urbano mais amplo no coração da cidade. Inaugurado em 1997 para abrigar vendedores ambulantes e organizar o comércio popular da região central, o espaço hoje está praticamente vazio: dos 445 boxes existentes, apenas 130 permanecem ocupados, cerca de 70% estão fechados.
A estrutura, que nunca passou por uma reforma completa desde sua criação, apresenta sérios problemas. O telhado está comprometido, há infiltrações, a rede elétrica é precária e parte das estruturas metálicas ameaça ceder. Com o ambiente degradado, os clientes deixaram de frequentar o local, o que fez cair drasticamente o movimento e obrigou muitos comerciantes a fechar as portas. “Antes o cliente entrava, hoje passa na frente, vê essa situação e tem até medo de entrar”, relatou um dos lojistas à reportagem da Tribuna do Norte.
Diante desse cenário, o secretário adjunto da SEMSUR, Paulo Pinheiro, destacou que o problema vai muito além de uma simples obra física. “A revitalização do camelódromo passa por um conceito de reocupação do centro da cidade. Não adianta reformar o espaço se as pessoas não voltarem a frequentar a Cidade Alta. É preciso que haja vida, moradia e circulação de pessoas para que o comércio volte a prosperar”, afirmou o gestor.
Segundo Paulo Pinheiro, a prefeitura já realizou ações emergenciais neste ano, como reforço na cobertura, e elaborou um projeto de reforma mais ampla, orçado em R$ 1,45 milhão, sendo R$ 800 mil destinados à substituição do telhado e das estruturas metálicas e R$ 650 mil para modernização elétrica. Ele explicou que os recursos dependem de emendas parlamentares e reforçou o compromisso da gestão em buscar soluções definitivas: “Estamos trabalhando para garantir as condições de funcionamento do espaço e dar dignidade a quem trabalha ali. O camelódromo é parte da história do comércio popular de Natal e merece ser valorizado”.
O secretário adjunto também ressaltou que a requalificação precisa ser pensada dentro de um projeto urbano integrado. “O desafio não é apenas reformar o camelódromo, mas torná-lo novamente atrativo. Isso envolve segurança, limpeza, iluminação e, principalmente, a presença de pessoas morando e circulando pelo centro”, destacou.
Enquanto o projeto de revitalização aguarda a liberação dos recursos, os comerciantes que resistem continuam enfrentando dificuldades. Mesmo com a maioria dos boxes fechados, ainda precisam arcar com custos de vigilância, limpeza e manutenção. O baixo movimento, somado à insegurança, compromete a sobrevivência do comércio popular.
Mais do que um conjunto de boxes fechados, o camelódromo representa um retrato dos desafios de revitalização dos espaços públicos de Natal. A fala do secretário adjunto resume bem o momento: “Estamos falando de um patrimônio social e econômico da cidade. O poder público tem o dever de revitalizar, mas é fundamental que a sociedade também volte a ocupar e acreditar nesse espaço”.
Se o projeto sair do papel, a reestruturação do camelódromo poderá se tornar um marco na revitalização da Cidade Alta, devolvendo vida, dignidade e oportunidades a um dos pontos mais simbólicos do comércio popular da capital potiguar.
Fonte: Tribuna do Norte




