O embaixador do Brasil na Organização das Nações Unidas, Sérgio Danese, afirmou nesta terça-feira (23/12) que a ação militar dos Estados Unidos nas proximidades da Venezuela, bem como o bloqueio naval anunciado recentemente, configuram uma violação da Carta das Nações Unidas. A declaração foi feita durante reunião do Conselho de Segurança da Organização das Nações Unidas.
“Somos e queremos seguir sendo uma região de paz, respeitando o direito internacional e com boas relações entre vizinhos. A força militar reunida e mantida pelos Estados Unidos nas proximidades da Venezuela e o bloqueio naval recentemente anunciado constituem violação da Carta das Nações Unidas. Portanto, devem ser cessados de imediato e incondicionalmente, em favor do uso de instrumentos políticos e jurídicos amplamente disponíveis”, afirmou Danese.
O embaixador acrescentou que o Brasil convida os dois países para “um diálogo genuíno, de boa-fé e sem coerção” e ressaltou que o presidente Luiz Inácio Lula da Silva e seu governo estão dispostos a colaborar, se necessário, com o consentimento mútuo de Estados Unidos e Venezuela. Segundo ele, o tema não interessa apenas à América Latina e ao Caribe, mas a toda a comunidade internacional, já que um eventual conflito na região poderia ter repercussões globais.
Danese também destacou que cabe ao Conselho de Segurança e aos Estados-membros “se esforçarem incansavelmente, sem temor ou motivações externas, para garantir que as diferenças sejam resolvidas de forma pacífica”.
As tensões aumentaram após informações de que a Guarda Costeira dos Estados Unidos estaria em “perseguição ativa” a um navio-petroleiro em águas internacionais próximas à Venezuela. Autoridades americanas afirmaram que se trata de uma embarcação pertencente a uma chamada “frota fantasma”, acusada de burlar sanções impostas a Caracas por meio de mudanças de bandeira, desligamento de sistemas de rastreamento e transferências de carga em alto-mar.
O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, ordenou um “bloqueio total” a navios-petroleiros sancionados que entrem ou saiam da Venezuela. Washington sustenta que essas embarcações integram redes usadas pelo governo venezuelano para escoar petróleo no mercado internacional apesar das restrições.
Do lado venezuelano, o presidente Nicolás Maduro afirmou que o país enfrenta uma “campanha de agressão, terrorismo psicológico e corsários que assaltam petroleiros”. Maduro acusou os Estados Unidos de tentar se apropriar dos recursos naturais venezuelanos, destacando que o país possui as maiores reservas comprovadas de petróleo do mundo e depende fortemente das exportações para financiar os gastos públicos.
Segundo dados do site TankerTrackers.com, até a semana passada mais de 30 dos cerca de 80 navios em águas venezuelanas ou a caminho do país estavam sob sanções americanas. Paralelamente, os Estados Unidos têm reforçado sua presença militar no Mar do Caribe e realizado operações contra embarcações que alegam estar envolvidas com tráfico de drogas, ações que vêm sendo questionadas por parlamentares americanos devido à falta de provas públicas.
O governo Trump acusa Maduro de liderar uma organização classificada como terrorista, conhecida como Cartel de los Soles, acusação que o presidente venezuelano nega.
Fonte: BBC News Brasil


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