Para fechar as contas, Lula mira no contribuinte, e não na máquina pública

O governo Lula prepara um novo pacote que deve pesar no bolso dos brasileiros em 2026. A equipe econômica estuda aumentar tarifas de importação para carros e aço, com o argumento de proteger a indústria nacional da avalanche de produtos estrangeiros, principalmente os de origem chinesa, e, ao mesmo tempo, levantar cerca de R$ 14 bilhões para tentar fechar as contas do ano que vem.

A questão, porém, vai muito além da balança comercial ou da disputa entre montadoras brasileiras e chinesas. O aumento dessas tarifas significa, na prática, carros mais caros, custos elevados para o setor da construção civil e pressão inflacionária em cadeia. Ou seja: o contribuinte, mais uma vez, vira a válvula de escape de um governo que não consegue controlar seus próprios gastos.

O governo aponta que a entrada massiva de aço e automóveis estrangeiros ameaça a indústria nacional, cita concorrência desleal e usa a experiência dos Estados Unidos contra a China como justificativa. De fato, as importações de aço devem subir 30% neste ano, e 62% dos carros importados já vêm da China. No entanto, a solução encontrada em Brasília é sempre a mesma: aumentar imposto.

Por trás dessa decisão está o verdadeiro problema, a fragilidade fiscal do país. Com previsão de déficit de R$ 70 bilhões em 2025 e meta de superávit de 0,25% do PIB para 2026, o governo precisa encontrar recursos rapidamente. Em vez de enfrentar o peso da máquina pública, revisar privilégios, modernizar estruturas e reduzir gastos ineficientes, o caminho escolhido foi o mais fácil e o mais prejudicial: transferir a conta para a população.

Aumentar tarifas na fronteira não corrige o problema central. Não diminui a burocracia, não melhora a competitividade da indústria nacional, não impulsiona produtividade e, sobretudo, não resolve o rombo das contas públicas. Apenas adia, e amplifica, o impacto sobre a economia real.

O Brasil não precisa de mais impostos. Precisa de responsabilidade fiscal, gestão eficiente e coragem para cortar onde dói dentro do governo, não fora dele. Sem isso, qualquer medida tributária será apenas mais um remendo que mantém o país preso no ciclo de gastos excessivos, crescimento tímido e carga tributária sufocante.

Mais uma vez, o caminho escolhido é o mais simples para o governo, e o mais caro para o cidadão.

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